www1.folha.uol.com.br 11/04/2026 MD Sandbox

IA é um dom de Deus, mas não se pode amar um robô, diz padre que assessora Vaticano

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Conteudo

TLDR;

O padre afirma que a IA é um dom de Deus porque abre possibilidades e convoca à liberdade, ao dever e à responsabilidade, embora não resolva automaticamente os problemas humanos. Não se pode amar um robô porque as máquinas emulam processos sem consciência nem corpo, empobrecendo a experiência afetiva e rompendo laços de fraternidade entre pessoas. A Igreja, pela Academia Pontifícia pela Vida, defende uma agenda de regulação global baseada em princípios éticos (Chamado de Roma) e em áreas como ética, educação e direitos humanos para orientar o uso da IA.

Resumo

A reportagem relata a atuação do Vaticano e, em especial, da Academia Pontifícia pela Vida, que passou a colocar a inteligência artificial no centro de seu debate ético desde 2020; para o padre Andrea Ciucci, secretário-coordenador da Academia, a IA é “um dom de Deus” — nas palavras do papa Francisco — que abre possibilidades, mas exige responsabilidade, liberdade e deveres. Ciucci alerta para riscos como a perda da corporalidade e da fraternidade, com pessoas estabelecendo vínculos afetivos ou confessionais com chatbots, e para o uso massivo da tecnologia na pornografia, que modela a sexualidade infantil e empobrece a experiência humana do amor. Ele rejeita chamar os modelos estatísticos de “inteligência” como se fossem consciência, critica narrativas apocalípticas (como as de Peter Thiel) e vê nelas uma forma de idolatria tecnológica. Defende uma governança global da IA, equilibrando perspectivas locais e universais, e propõe que a regulação venha acompanhada de uma visão do futuro que se deseja construir; cita o “Chamado de Roma pela IA Ética” (2020) como ponto de partida, um documento orientador com princípios éticos voltados a ética, educação e direitos humanos, mas insuficiente sem um projeto cultural e comunitário que preserve laços humanos concretos.